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ENTREVISTA

O carioca Luiz Antonio de Souza, 48 anos, era praticante de caminhadas em trilhas nos anos 80, quando elas ainda não eram conhecidas popularmente como trekking. Além disso, ele diz que fazia escaladas e praticava canoagem. “ Em 1984, descobri uma empresa que organizava caminhadas e perguntei a mim mesmo: `Se eu também faço, por que não ganhar dinheiro com isso`.”

Souza então se preparou para transformar seu lazer em negócio. Fez cursos para se aperfeiçoar nas atividades que pretendia seguir. Em 86, abriu a Cauã, agência de turismo especializada em roteiros ecológicos. O negócio acabou fechando por causa do Plano Collor, em 1990. A crise levou o empresário a sair do Rio e procurar a paz na Região Serrana fluminense. Lá, abriu a Açu Expedições e Promoções, que não apenas realizava passeios de turismo de aventura como também administrava uma pousada dentro do Parque Nacional da Serra dos Órgãos.

Foi um jeito de criar sinergia entre as duas atividades turísticas e complementares, cuidando da hospedagem, recepção, passeios e alimentação. Mas lidar com a administração de uma pousada não tirava um pouco do prazer das atividades ao ar livre – que afinal transformaram o técnico em eletrônica num empresário?

“Também tive prazer com a pousada, mas ela me dividia”, diz Souza. “Depois de 16 anos perdi a empolgação, pois é um negócio que exige um tipo de dedicação diferente”, diz. Ele acabou por fechar a pousada no começo do ano.

Souza diz que voltou a se concentrar unicamente no que gosta. Hoje, além do turismo de aventura, dedica-se ‘a criação de circuitos indoor. Traduzindo: instalação de paredes de escalada, circuitos de arborismo, trampolins, camas elásticas ou rapel dentro de shoppings e casas de festas e eventos. “ É um negócio mais urbano e nemos sazonal”, diz Souza, que começou essa atividades no fim dos anos 90. Ao mesmo tempo, o empresário não deixa de apostar no segmento outdoor. Ele acredita que a entrada em vigor das regras da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) para o setor de turismo de aventura pode impulsionar a atividade com mais qualidade e profissionalismo.

No começo das atividades, Souza tinha uma sócia. Uma economista. Isso ajufou a manter o negócio, já que na época ele não tinha experiência nem formação empresarial. “ Eu cuidava da parte técnica”, diz. Hoje sua esposa Elizabeth, cuida da rotina administrativa da Açu, que tem um equipe de 18 guias formados. O empresário continua com as atividades técnicas, mas afirma que atualmente tem mais conhecimento de gestão. “Aprendi  com a vivência. Acompanho a administração da empresa e faço um planejamento das metas da companhia.”

 

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